sexta-feira, 25 de março de 2011

Se For É


Se for pra viver

vá de você

e de bem

que vou eu,

voo também.


Se for para ser

vá serena

devagar, divagando

divulgando

segurando

sua bandeira, o seu estar

bem-estar

bem na porta da escola

E se for completar

mais um ano

de existência

vá de senso

e ciência

sejam os seus instrumentos

de felizes dias, meses, anos

Tudo isso pra você

te desejo

pra valer.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

quinta-feira, 24 de março de 2011

ADVENTO DE PALAVRAS

Tem palavras aguardando você:
milhares, milhões de palavras
querendo pronúncias, querendo sentidos
querendo dizer.

As palavras te acham
as palavras te pegam
as palavras te encaixam
e ainda te cegam

Não tem jeito:
a humanidade tem o seu preço
e te exige a pronúncia do mundo.

As palavras te encontram:
Não adianta fugir,
fingir
mentir.
É preciso dizer
o necessário existir.

Que palavras eu posso te oferecer?
Somente as vividas comigo,
Elas, que me conhecem tão bem.
Tome as minhas palavras
como gesto de amor

Deixe que as palavras te escolham
morando em meio a elas.
Os discursos residem contigo
em sua história social,
em seu pessoal inconsciente.
Esqueça o discurso impossível,
preciso, medido, correto,
e seja um abrigo carinhoso
dos múltiplos sentidos.

As palavras são tuas contemporâneas:
têm a sua idade
e compartilham contigo o mundo.
Mesmo que você se cale
os sentidos vão continuar
procurando palavras, atores,
para se pronunciarem.

Talvez, se ao invés de calar,
você ficar em silêncio de monge
as palavras podem ser apaziguadas,
em sentido oportuno e,
o mundo,
virá mais profundo.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

quinta-feira, 17 de março de 2011

Aos políticos baianos e brasileiros

Vá pra pôrra!

Vá pra pôrra você

Que não vê a poesia

indignação desse instante.


Vá pra pôrra e empurre

com a sua barriga

o seu sinistro adiante.


Vá pra pôrra e esqueça!

Vá pra lá e apodreça.

nesta sua anemia política.


Fique lá!

na sua indecência

na sua eleição

Vá de retro doutor!

com satâ,

seu senhor.




Vá pro inferno!

com sua corrupção e ganância

vá de terno

e feche seu paletó

esqueça de mim

e aperte o seu nó.


No pescoço, seu canalha!

com seus desejos reprimidos,

sem batalha.


Vá batata palha!

queimar no óleo quente.

Morra! Desapareça

com sua vida demente,

seu merda de humano

brasileiro insano

sua desgraça de gente.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

sábado, 12 de março de 2011

Ex ou a fila anda

A gente nunca sabe exatamente se o que faz, tanto fez

se o que fez, tanto faz

De vez em quando, de quando em vez

a gente escolhe, a gente expande

a gente encolhe e nosso tempo fica ex

Ex marido, ex mulher, ex prefeito, ex detento

ex bestão, ex sabido, ex amante, ex plosivo

ex celente, ex men, ex'is da questão, ex talento 

ex jogador, ex político, ex bandido, ex criança

ex colega, ex namorada, ex brigado, ex de nada

ex quisito, ex tinto, ex tintor, ex perança.


Quando o tempo passa

a gente passa com o tempo.

Pobre de quem fica no lamento

do tempo perdido

do tempo passado

no tempo presente

sem tempo futuro.


De que não fez o que devia

ou de que fez o que não devia.

Deve, de qualquer maneira

paga a qualquer momento

como protagonista ou como ex

cada qual sempre tem a sua vez

mesmo que seja para morrer

cada um vai viver o seu momento


Faça seu tempo e seja um ex

Um ex com brilho, com altivez

Não se lamente de ter sido

e de não ter

Tenha a si mesmo

viva o seu tempo

e ceda sua vez.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

sexta-feira, 11 de março de 2011

História em pontos

Corre o tempo em linha reta
pra contar entre dois pontos
o começo e o fim
como tudo aconteceu
antes e depois de mim.

Corre o tempo pra ligar
a princesa ao escravo
o libertador ao libertado
o ponto B ao ponto A.

Corre o tempo pra contar
antes que outro tempo chegue
a História do Brasil
conta um conto aumenta um ponto
do que nunca existiu.

Conta a data e o acontecimento
diz que é fato positivo
cria o dia feriado
que não conta o sentimento
de um povo explorado

Conta o tempo e faz as contas
interpreta a seu sabor
omite a ideologia
legitima o escravo e o senhor

Corre o tempo nesse filme
quadro a quadro ficções
tempo cria os seus livros, personagens
grandes imaginações.

Bota o tempo a sua máquina
pra imagem sem defeito:
a princesa assinando a liberdade;
imperador dando grito do Ipiranga;
marechal proclamando a república;
presidente criando nova possibilidade.

Nesses pontos interligados
não há povo organizado
nem revoltas populares
não há sinais de rebeldia
de outros tempos a contar
outros pontos para além
de ponto B e ponto A.

Do ponto G ao ponto de ebulição
nossa história,
muitas contas a acertar...
as palavras enforcadas nas gargantas
querem gritar
 todo o silêncio explosivo
que o sentido quer ressignificar.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

quarta-feira, 9 de março de 2011

Errante de Pessoa

Vivo,

ainda que agora

vivo intenso o meu caminho.

Desculpas eu peço

dos pedaços do trajeto,

dejetos de mim.


Vigoro incessantemente

Imploro ardentemente perdões

E ofereço minhas margens, poesias,

orações e silêncios.


Aguardo profecias

Vivo meus passados

Intensamente!

E cruzo os tempos

para trás.


Reencontro coisas belas

outras terríveis

e enfrento o meu futuro

com as minhas cicratrizes

num pretérito imperfeito.


E desse jeito vivo

desajeito de gente.

Ao ter sido o eu mesmo,

deixo de ser quem seria

se não fosse esse errante de pessoa

que vive atrás de si

atrás de quem não vingou

e que, precisamente,

é um ninguém.


Sombra de algo

alma perdida

que tenta chegar em si mesma

que tenta voltar a si.

E o que encontra

é o caminho, o complô,

o tecido de ter sido

tecido entre humanos

num tempo que não mais existe.


E, assim sendo,

eu fui sendo o que sou.

Pra viver? Só sabendo.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas gentes e de Jesus, O Emanuel

Vida de assim

Vivo,

ainda que nesta encruzilhada.

Angustiado por não decidir

meu caminho.

Deixo acontecer sem mim

a vida

que, por ser assim,

me vive

e, por ser assim,

me mata.


Revivo a cada dia

o dia anterior

e não sendo senhor

da opção

vou em vão

remoendo minha dor

de nem sim, de nem não.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas gentes e de Jesus, O Emanuel


Escrito entre 2004 e 2005

terça-feira, 1 de março de 2011

Segredo, alegria e medo

Em tudo há segredo,
alegria e medo.

Em cada coisa
por menor que seja,
por maior que surja
há medo, alegria e segredo.

Há em tudo propósito
e absurdo
É mundo!
onde nem tudo se encaixa
de pandora.

São tempos, espaços,
discursos compondo
e decompondo o sistema.

Em tudo se encontra
o que se procura:
amargor e doçura
o fugaz e o que dura
o efêmero e o eterno
a maldade e a ternura
a feiúra e o belo.

A gente quer quintal com pomar
para poder brincar
Trabalha o segredo
e em medo seguimos
cortejos e ritmos
a alegria do povo.

A gente quer o fruto
e o sumo pro suco
e, de tudo, o melhor.
Mas a gente é pó,
é poeira na estrada
é memória esquecida
dos sonhos de amor.

O amor esquecido
retorna ao segredo
de cada indivíduo
que ao pó voltará
sem medo.

Em tudo há cortejo pro riso:
na morte, esse drama esquisito.
Tem alegria em cada coisa
de cada manhã:
na sombra que dá
gratuita das árvores,
nos córregos
que deslizam abaixo,
nos ossos cansados,
na pela suada
da negra largada
no aço do mundo.

Em tudo há medo, alegria e segredo
em tudo há o que se pensar
em tudo se inclina
o mundo a criar,
malcriar.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel