segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ELEIÇÕES 2018 NA BAHIA: as esquerdas precisam ressurgir!

O Partido dos Trabalhadores cresceu à luz de setores organizados da sociedade civil como sindicatos, alas progressistas da igreja católica, grupos organizados das universidades públicas, parte da sociedade que se apresentava através de associações de bairro, movimento negro, blocos afros, entre outros que foram saindo da ditadura cruel – que Zezé de "Amargo" afirma em sua tolice oportunista ter sido um "militarismo vigiado" – e começaram a esboçar um poder que estava silenciado no fundo dos calabouços onde as torturas transformavam esperança de igualdade social e dignidade humana em gritos de desespero e de dor. Zezé de "Amargo", em sua "sapiência" de ocasião, deve confundir pau de selfie com pau de arara. Ele não teve unhas arrancadas lentamente, não foi estuprado por milicos psicopatas, nem tomou choques elétricos na genitália. O cantor não deve ter tido parentes que desapareceram para sempre, sem que a família tivesse ao menos o corpo para se despedir. Deve pensar que as pessoas que foram assassinadas pelo regime militar devem ter sido marginais que mereceram ser torturadas, pois “bandido bom é bandido morto”, não é filho de Francisco? Na verdade, os filhos e as filhas das famílias que apoiavam o regime militar são esses/as que usam o patrimônio público como se fora privado, propriedade particular de sua família e de seus/suas amigos/as e apoiadores/as. Desse ponto de vista, foi o “militarismo vigiado” do Senhor José de Amargo que preservou a corrupção, matando as pessoas que queriam um país melhor e protegendo as pessoas que aí estão nos roubando o presente e o futuro, além do passado, em propostas como escola-sem-partido. Os/as paneleiros não estão interessados em combater corrupção alguma. O que eles queriam é que a empregada voltasse a ser escrava, que o encanador voltasse a andar de ônibus, que o pedreiro voltasse a pedir um salário de fome e todos/as voltassem a pedir de joelhos a concessão da classe média e das elites à sua existência precária. 
Mas, voltando ao Partido dos Trabalhadores (PT), penso que, muito embora tenha sido, para a maioria do povo brasileiro, a melhor experiência de governo até agora em nossa história, o partido foi envelhecendo e não procurou formas de renovação fora dos seus quadros de poder, no qual medalhões começaram a luta pela disputa da eleição nas majoritárias, não permitindo a renovação necessária para oxigenação do partido e de sua inserção maior na sociedade, conforme governava o país. Os mesmos de sempre lançavam suas candidaturas, pleito após pleito eleitoral, e, de certa forma, principalmente aqui na Bahia, foram se fortalecendo com a decadência do PFL – hoje DEM (ônio) – com a morte do Capo di tutti capi Antônio Carlos Magalhães (ACM) e a desarticulação do carlismo. A juventude do partido não apareceu, nem deu as caras, como se as correntes do partido tivessem os seus donos que não abriam mão de suas posições conquistadas àquela altura e, dessas posições, buscavam melhores lugares ao sol nos quadros da hierarquia da instituição partidária.
Por outro lado, ao chegar ao poder do estado, o PT não conseguiu sair do ciclo da corrupção alimentado pela cultura política arraigada em nosso sistema de poder. Fomos admitindo que, para governar, é preciso corromper. É preciso fazer pagamentos extras a deputados, senadores, prefeitos, e governadores. Admitimos que, para governar, é preciso oferecer ministérios a partidos para serem usados como formas de roubar os cidadãos e as cidadãs brasileiros/as. Então alguns dizem que o PT não é culpado. Pois sem corrupção não há solução. De fato, não foi o PT que inventou a corrupção, nem o partido que mais roubou, a ARENA/PFL/DEM está aí como prova. O PMDB, o PODEMOS, o AVANTE, o PSDB estão aí nos oferecendo elementos suficientes para vermos que esses partidos utilizam o estado como extensão de suas casas. Mas o PT não conseguiu romper essa cultura secular que nos mantém aos pés do processo civilizatório nacional. Muito pelo contrário, se aproveitou dela e aliou-se politicamente ao que é mais antigo nesse país. Povo que consome mas que não pensa, não é povo. É massa eleitoral! E o que aconteceu?
A igreja católica desarticulou as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) e os movimentos de esquerda em seu interior, tais como a Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e outras pastorais que formavam uma boa base de pensamento crítico para as populações mais pobres do país – por isso saí da igreja. Aqueles encontros de jovens da periferia, assessorados por pessoas do calibre de Wiliam e de ValdirMarina, foram sendo extintos. O próprio PT, quando começou a ser questionado pelos sindicatos e movimentos sociais, cooptou boa parte das lideranças políticas e as colocou em cargos no estado, onde suas ações foram se tornando inócuas. De todo modo o partido também se deu conta da insuficiência de quadros preparados para assumir o estado e teve de deixar antigo quadro de pessoal que preservava uma velha forma de exercer o poder. Os movimentos sociais foram enfraquecendo e o movimento negro desapareceu da cena pública, pelo menos como era quando o Ylê Ayê, o Olodum, entre outros blocos e afoxés traziam esperança com a negritude de Salvador que reclamava por “força e pudor”. E lá ia eu, ela, ele, todos nós naquele “arrastão” nordestino pelas ruas da cidade onde todo mundo é d’Óxun, mas nem todos/as são assim tratados/as.
E o PT foi perdendo fôlego. Para usar uma expressão de Game of Thrones, não conseguiu “quebrar a roda” que alimenta esse falido e corrupto sistema político e foi se parecendo, cada vez mais, com os partidos contra os quais antes tensionava sua existência. Foi perdendo membros importantes, que foram formando outros partidos, pois nele não mais encontravam canais de expressão ideológica, e, com a ascensão do neoconservadorismo brasileiro – na forma de Bolsonaro, Alexandre Frota, Zezé de Camargo, entre outros/as – o partido se viu enfraquecido, pois não tem mais discurso, nem para um lado, nem para o outro. Não tensiona mais, não representa o sujeito trabalhador fortalecido nas centrais sindicais, que estão sucateadas diante dos rumos que nossa história toma. Não tem mais trabalhador para representar. Aquele sujeito político surgido no fim da ditadura no ABC paulista, não existe mais. O capitalismo achou uma forma de enfraquecê-lo. E sem os jovens das periferias organizados em torno das pastorais de juventude do meio popular; e sem a negritude de Salvador; e sem as classes populares reunidas em movimentos, grupos e instituições que alimentam a esperança de um Brasil melhor para todos/as; aonde o PT vai encontrar força para eleger seus candidatos em 2018?
No discurso da eficiência capitalista na gestão do estado. Pelo menos é este discurso no qual Rui Costa (Rui Correria) está se apegando, não para se contrapor a ACM, o Neto (como bem lembrava Hilton 50), mas para sobrepujá-lo perante os olhos da massa disforme que é a população baiana em sua abordagem mais ampla. E, de fato, Rui é correria mesmo! Foi com ele que o metrô andou a passos largos, mesmo com toda suposta crise econômica vivida neste momento. É com ele que a agricultura familiar é tratada com respeito e dignidade, contrapondo-se ao famigerado agronegócio, entre outras. E tomara que seja suficiente, para não cairmos nas garras dos Magalhães. Votarei em Rui Costa, sim. Contudo, é preciso mais que isso. O posicionamento ideológico das esquerdas não pode ser devorado pela fome insaciável da ideologia instrumental do capitalismo de estado, que reduz a subjetividade ao desejo de poder ter seu trabalho explorado por um patrão empreendedor. E por isso votarei no PSOL para deputados e senadores. É preciso repensar a relação do partido com os homossexuais, com a negritude, com as mulheres, com a juventude, com a população que ficou órfã de espaços para discutir e fortalecer os movimentos políticos, sociais e culturais que fazem surgir e fortalecem novos sujeitos que tensionam com esse bolsonarismo ultraconservador e esse doreanismo de resultados que São Paulo quer que o Brasil inteiro engula, como remédio amargo somente para a pobreza que ascendeu economicamente e socialmente nos últimos anos. As esquerdas precisam ressurgir!


Joselito Manoel de Jesus, Professor

terça-feira, 5 de setembro de 2017

TRUMP-WORLD

Quem sabe não haverá futuro?
Talvez não haja mais futuro no futuro.
Não há mais futuro no presente.
Nunca houve futuro em passado algum.

Não existe possibilidade de,
lá adiante, haver alguma possibilidade.
Acabou o sonho, já faz tempo
Não há mais nenhuma vontade.

Quem viver não verá.
Quem não vive não será
não haverá choro
ninguém mais nascerá!

Nem Jesus vai mais voltar
pra nos salvar de nossa destruição
haverá fogo contra fogo
acabou-se a redenção.
    
Queimaremos todas as florestas
aspiraremos suas fumaças
sufocaremos nossas esperanças
mataremos nossas mulheres e nossas crianças.

Poluiremos nossos rios,
e findaremos nossas alvoradas.
Explodiremos nossas cidades
com nossas atômicas possibilidades.

Acabaremos definitivamente radiativos
e celebramos nosso imenso poder letal
comemorando nosso domínio planetário
sob a orientação do mal.    


Joselito Manoel de Jesus