sábado, 15 de maio de 2021

RIO DOS CLÃS: MARINHOS E BOLSONAROS NO COMANDO

Não se enganem. O mesmo mau gosto, cafonice, cinismo, falta de empatia, violência e malandragem do Bolsonaro e do seu clã, é o mesmo mau gosto da Rede Globo que convivem no mesmo território carioca, além das demais redes de tv aberta no Brasil, com exceção da TV Cultura, TV Educativa (TVE). Os programas da Globo, Record, Band e SBT são programas para bobos assistirem, para idiotizar o povo brasileiro, já desprovido de educação, saúde e segurança. Para isso, por exemplo, a Rede Globo não apresenta perspectivas, soluções, caminhos objetivos. Muito pelo contrário: alimenta ilusões através de novelas que só mudam os rostos, mas as tramas e personagens continuam os mesmos e as mesmas. Faustão, Luciano Huck, Ana Maria Braga, William Bonner, Míriam Leitão entre outras e outros, são porta-vozes dessa rede intricada de más intenções, de mau gosto, de superficialidade argumentativa, de ausência de pesquisa e de reflexão sistemática e coerente e, infelizmente, quando você vai a clínicas, hospitais, concessionárias, rodoviárias, aeroportos etc., parece que é a única rede de tv no Brasil, atingindo milhões de pessoas e influenciando, através de processos manipulatórios, o pensamento da população deste país.

Mesmo sabendo que o “Rio de Janeiro continua lindo”, parece-me, ao examinar os fatos, que este território é laboratório de bandidos, de traficantes, milicianos, governadores e governadora larápios/a, que surrupiam o direito do povo em forma de corrupções diversas entranhadas no aparelho do Estado. Terra de ninguém é o que me parece ser o Rio de Janeiro. Além disso, é o mesmo território aonde a Rede Globo está encastelada, disseminando programas chulos, de gosto duvidoso, com baixíssima possibilidade de levar o telespectador à reflexão, muito pelo contrário: produz manipulações permanentes, todos os dias, incluindo os programas jornalísticos da Globo News, no qual após uma notícia de aumento salarial do trabalhador apresenta em seguida a notícia do “déficit estatal”, produzindo a percepção de que nós é quem somos responsáveis por esse “déficit”. Na verdade, nós, os trabalhadores e as trabalhadoras que produzem a riqueza deste país, é quem sustentamos, através de pesados impostos, os militares de altas patentes que se acham os heróis de uma guerra que nunca travaram, mas quando têm de enfrentar o contraditório, pedem socorro ao STF (Supremo Tribunal Federal) se borrando de medo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Congresso. Alimentamos os privilégios de uma casta de juízes/juízas e desembargadores/as e dos políticos que ficam mais ricos a cada legislatura, procuradores e agentes especiais do Ministério Público.

O Domingão do Faustão, como a própria rima sugere, é um programa dominical para idiotas. Um cara ganhando uma fortuna para falar um monte de bobagens, uma besteira atrás da outra, com perguntas tolas, superficiais, que mal tocam nos dilemas mais imediatos e reais do povo brasileiro, que, sem se dar conta de sua realidade, ri daquelas palhaçadas mal elaboradas. Os demais programas são de baixa interatividade, tratando a população apenas como uma telespectadora burra que, passiva, acolhe aquele monte de lixo ideológico derramado todos os dias, do Jornal da Manhã, da TV Bahia, passando pelo Bom Dia Brasil até os programas da madrugada.

Quando você muda de canal e começa a assistir a TV Educativa e suas afiliadas, percebe a qualidade de programas como “Café Filosófico”, “Senhor Brasil”, “Opinião”, “Provoca”, “Linhas Cruzadas”, “Jornal da Cultura” – com uma crescente interação com o público – “Mundo Museu”, “Cultura Cidadania”, “Quintal da Cultura”, “Roda Viva”, “Clássico”, “Cabaret Literário”, “Elas” – programa que desvenda histórias e lendas de mulheres do cotidiano que se tornaram referências – “Repórter Eco”, “Matéria de Capa”, além da grade de programação das afiliadas locais, que também são muito interessantes porque trazem o povo como protagonista, exercendo suas autorias e criações inovadoras no campo da arte, da cultura, da política, da organização social e inventividade econômica, nas diferentes produções que são marginalizadas pelo domínio das demais redes de tv aberta como a Globo, Record, SBT e Bandeirantes (Band).

Quando você compara, percebe a riqueza dos programas advindos da Tv Cultura e a baixa qualidade dos programas das demais tv’s abertas, conseguindo identificar as manipulações presentes nos discursos unidirecionais dos/as âncoras e apresentadores/as desses programas. A Rede Globo, por ser a mais assistida, é a mais prejudicial à emancipação intelectual da população brasileira, disseminando sua forma única de ver o mundo e o ser humano nele, mantendo jornalistas sob rédea curtíssima, de modo que suas notícias são parciais, não mostrando as principais dimensões e aspectos envolvidos. O mesmo projeto de Bolsonaro de se manter no poder com utilização de recursos envolvendo a bravata, a manipulação via fake news, o uso da força  e até o genocídio populacional etc., é o mesmo projeto da Rede Globo, da TV Record, da Band, do SBT de se manterem soberanas nos domicílios deste país, com Sílvio Santos, Edir Macedo, o clã Marinho e os acionistas majoritários da Rede Bandeirantes.  

Nos programas dessas emissoras não se discute a questão da mulher. A mulher que aparece nesses programas apenas repete o script para o universo feminino conservador que mantêm a feminilidade no silêncio, em condições inferiores nas relações de gênero, com raras exceções. O preto e a preta não aparecem de modo empoderado, no protagonismo de programas que discutem com profundidade a questão racial no país e mostram pretas doutoras e pretos doutores bem sucedidos/as orientando a sociedade em diferentes ramos do saber e da ciência, como a Tv Cultura faz; as comunidades locais mal aparecem na Record - a não ser de modo caricato em programas comandados pelo pseudo jornalista, pseudo humorista e palhaço mal formado "fulano de tal" -, no SBT, na Band, na Globo e, em nosso caso TV Bahia, a não ser como coadjuvantes de situações de crime, violência, protestos contra mortes violentas de sua juventude. Dificilmente aparecem como produtoras de cultura, criadoras de economias criativas e solidárias como a TV Cultura e a TV Baiana. 

Portanto, você pode escapar da idiotia a que nos remetem essas redes de emburrecimento e de produção da imbecilidade nacional, mudando de canal, mudando para a Tv Cultura, a Tv Educativa, a Tv Baiana, e ocupando as redes digitais, exercendo autorias no ciberespaço e participando coletivamente e solidariamente de produções ciberculturais, a fim de não se trair, nem se dis-trair demais de si mesmo/a, apartando-se de seu contexto social, cultural, econômico e político, rindo de suas próprias desgracenças e tirando sarro dos perrengues de sua própria gente e de si mesmo, como Faustão sabe fazer tão bem contra nós. Embora o Rio de Janeiro continue lindo, a lama produzida nesse rio terminou emporcalhando esse território a tal ponto que o próprio Cristo Redentor fechou os braços e colocou as mãos nas narinas. 


Joselito da Nair, do Zé, da Ana Lúcia, do Rafael, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel    

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

LIVE COM O PROFESSOR DOUTOR CARLOS ALBERTO ÁVILA ARAÚJO: CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E PÓS-VERDADE

FAKE NEWS – Informação falsa travestida de notícia jornalística verdadeira.

O fake News reconhece a legitimidade da notícia jornalística. Tende a se aproveitar dos mecanismos legitimados de produção jornalística para disseminar mentiras e confundir a população.

DISCURSO DO ÓDIO – Tem a função de inocular ódio, reação emocional, fazendo as pessoas deixar de basear seu comportamento em reações racionais, colocando-se em “pé-de-guerra”, reagindo “à flor-da-pele”. Isso elimina a capacidade de raciocínio do indivíduo, tornando-o um boneco manipulado a serviço de interesses de indivíduos, instituições e grupos poderosos. Com esse discurso o outro - petista, "esquerdopata" (que o diga o charlatão Silas malafaia), gays, trans, mulher, negros, moradores de rua (Covas que o diga), estrangeiros de países mais pobres, pessoas com deficiência etc. - é sempre o culpado pelas nossas próprias dificuldades. Deixamos de identificar e reconhecer que o problema é gerado pelo acúmulo de riqueza nas mãos de poucos e, portanto, escolhemos nossos alvos de ódio, criando o cenário moralista para perseguição, prisão e morte para essas pessoas. Com o nazismo foi assim. Agora, com a aprovação do "Excludente de Ilicitude", ficará mais fácil por esse projeto de extermínio em prática.   

NEGACIONISMO CIENTÍFICO – Produção intencional com a função de provocar dúvida sobre resultados de pesquisas científicas a fim de defender interesses de grandes conglomerados econômicos, políticos e ideológicos.

ENGENHEIROS DO CAOS – Pessoas que se apresentam como “cidadãos-de-bem”, pessoas que se dizem simples e que algumas vezes escreve e fala errado para justificar que estão fora da "dominação" causada pelas universidades, pela mídia, pelos canais de jornalismo etc., e que, portanto, estão fora da “Matrix”, sendo portadoras da suposta “verdade”. Elas atuam nos “canais subterrâneos de informação” – whatsapp; facebook, twitter etc. – divulgando informações falsas a fim de destruir reputações de indivíduos, grupos e instituições. Agora mesmo vi um dizendo que era só mastigar alho com alguns goles de vinagre que estaria protegido da Covid-19.    

DESINFORMAÇÃO – Produção de mentiras maquiadas de verdades. Objetivo é causar confusão para a tomada de decisões das pessoas sobre saúde, finanças, trabalho, investimento profissional etc.

DISSONÂNCIA COGNITIVA – É o fenômeno psíquico no qual se produz “conforto psicológico”, reforçando certezas e dogmatizando-as. 

Ex.: Se eu acredito em um político, achando que ele é honesto ou que ele é ladrão, usarei minha capacidade cognitiva para reforçar essa crença, independente do contraditório e de todas as provas contrárias àquilo que acredito. Se Bolsonaro, Sarney, Collor, Alckmin, Aécio Neves etc., são honestos para mim, sempre serão honestos, independente das provas contra eles, os filhos e da privatização criminosa de empresas públicas importantes para o povo brasileiro. Se considero que Lula é ladrão sempre será ladrão, mesmo que não haja provas concretas de sua “roubalheira” e que se evidencie a perseguição de um juiz e seus comparsas no poder judiciário brasileiro que deveria ser imparcial. 

PÓS-VERDADE – Uma nova condição por meio da qual uma informação é produzida, utilizada, divulgada. Hoje em dia temos a capacidade de, em alguns segundos, checar se uma informação é verdadeira ou falsa. Mas nós não temos interesse nisso. Compartilhamos assim mesmo, de modo irresponsável, num crescente desdém pela verdade.

 Um dos perigos que corremos hoje é o da “DESINTERMEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO. Retirada das instituições mediadoras – museus, escolas, universidades, agências de notícia, institutos de pesquisa etc. – do processo de tratamento da informação. Assim, vemos crescer o fenômeno dos blogueiros que ocupam o vazio deixado pelas instituições responsáveis por esse papel. Você vê tipos como Alan dos Santos, Olavo de Carvalho e Felipe Neto entre tantos/as outros e outras que formam opinião de muitas pessoas reduzindo seu acesso à informação pelas instituições tradicionais que fazem essa mediação de modo confiável.



Joselito M. de Jesus: professor

sábado, 16 de janeiro de 2021

GENERAIS BOSTÉTICOS, JUIZES CORRUPTOS, CAPITÃES DO MATO, DELEGADOS SEM CACHORRO

Militares, juízes e agentes de polícia foram incentivados pelo contexto a ocuparem o campo político. A era dos capitães parecia promissora para eles. E parecia a princípio que assumiriam cargos decisivos no aparelho de Estado para servirem com denodo, disciplina, honestidade e transparência, governando para o povo, instaurando uma nova política neste país. Qual nada. Eles apenas se juntaram à roubalheira geral da nação e fizeram até pior em plena pandemia!

O caso do ex-juiz Wilson Witzel é um exemplo bem claro e explícito. Chegou cheio de moral, batendo continência para todo lado, como um sinal a disfarçar suas intenções para a turma da geral. Assumiu a governadoria do Rio como se fosse dar um ponto final a toda uma tradição de roubos, assaltos aos bens públicos pertencentes à população. Parecia por fim à “garotinhos”, “pezões”, “cabrais” e afins. Mas ficou claro que não. Ele não somente não rompeu com esta tradicional roubalheira geral como afundou ainda mais o pé na jaca, e bem em meio a uma pandemia! Contornos de perversidade foram acrescidos a tais práticas marginais promovidas pelos próprios poderes públicos. De juízes assim o inferno tá cheio!

Outro caso, a que gerou a "Operação Faroeste" da Polícia Federal na Bahia, a partir do Ministério Público Federal, mostrou o quanto desembargadoras, juízes e advogados, incluindo delegada e o próprio Secretário de Segurança Pública da Bahia, estes como suspeitos, estavam envolvidos em grilagem de terras no oeste da Bahia a serviço de interesses privados. Eu fico imaginando. Pessoas que não precisam de dinheiro para ter uma vida confortável se envolvem nessas tramamóias. Mas quando um pobre coitado se envolve no tráfico de drogas, muitas vezes para sobreviver - pois quem ganha com o tráfico de drogas são brancos bem posicionados nas altas classes sociais - a polícia invade seu terrítório com a autorização para matar. Sou a favor do tráfico de drogas? Não. Sou a favor da justiça. Matem também desembargadores e desembargadoras, juízes/as, advogados/as envolvidas com crimes; invadam condomínios de luxo e coberturas de edifícios de bairros nobres e aí a balança será equilibrada. 

O homicídio culposo é quando o réu não tem intenção de matar. Mas roubar o estado, a prefeitura, a Câmara de Vereadores, em plena pandemia causada pela Covid-19, desviando recursos escassos do sistema de saúde é, sem dúvida, homicídio doloso, pois estes atos causaram muitas mortes desnecessárias na população. Eles sabiam que isto iria acontecer. Eles só queriam roubar, enriquecer mulheres, filhos e filhas, a fim de fortalecer suas “famílias” neste território que mais se parece um faroeste, no qual o mais rápido no assalto e nas articulações entre bandidos, formando quadrilhas no poder, é quem permanece vivo na cena política, sem direito a mocinhos. Um faroeste só de bandidos que usam estrelas no peito, como se fossem xerifes. Um “Faroeste Caboclo” sem direito a “Santo Cristo”.

Dos generais que assumiram o poder neste governo genocida do Bolsonaro, o pouco que tive acesso quando eles falam em público, denota que são homens bem limitados cognitivamente. Nada os diferencia dos velhos políticos que ocupam o poder de Estado a serviço de si próprios. Uns chegam a ser patéticos! Outros demonstram claramente seu racismo, sua subserviência a determinações que conduzem a população brasileira à morte. Por eles, a ideia que tenho é de que a elite da força militar de nosso país não consegue selecionar os melhores. Pobre das Agulhas Negras! Imaginava que um general era alguém que se destacava entre os militares em inteligência, bom senso, capacidade de tomar decisões rápidas e estrategicamente eficientes em contextos de tensão e de ameaça. Mas a tomar Mourão, Augusto Heleno e Pazuello como exemplos, percebo que uma força inimiga não teria muita dificuldade em tomar este país de assalto. Só posso deduzir que tais indivíduos chegaram a ocupar tais postos por práticas de puxa-saquismo, lambendo botas de superiores para obterem simpatia e irem galgando posições nas forças armadas brasileiras, repetindo assim toda uma tradição patrimonialista – o amigo, o parente – que deformou este país desde que os portuga aqui chegaram com suas capitanias hereditárias.  

Esperávamos que os generais fossem generais, honrando a disciplina, a defesa dos interesses nacionais e adotando as estratégias mais eficientes e eficazes para combater a Covid-19 que já ceifou mais de 200.000 vidas em nosso território. Esperávamos que esses homens zelassem pela sua postura, pelos ideais mais amplos que orientam homens e mulheres de farda. Mas não. Nada os diferencia das velhas raposas da política brasileira. O general Pazuello é uma piada de mau gosto! Um boneco vazio de alma, manipulado pelas determinações do Genocida a quem serve. Um idiota útil para serviços sujos. E isso termina contaminando as próprias forças armadas. Excetuando-se o General Santos Cruz, que tem postura de militar comprometido com seu país, entre outros poucos que já foram afastados e se afastaram desse desgoverno criminoso.

Juízes envolvidos em desvios de recursos públicos destinados ao combate à pandemia, generais sabotando o combate à covid-19, ministro da economia aumentando impostos sobre os cilindros de oxigênio, são exemplos de como os privilegiados desse país se articulam numa grande rede para eliminar sua população com reformas previdenciárias, práticas incendiárias, perseguições a dissidentes, mentiras e desinformações distribuídas pelos porões das redes sociais, torturando a verdade, e agora a asfixia da população de Manaus pela negligência dos poderes estatais, sob a liderança de Jair Messias Bolsonaro, denota o quanto os militares deste país se tornaram tal qual ou até piores que os políticos tradicionais.

Isso tudo demonstra também como o povo brasileiro, que verdadeiramente carrega esse país nas costas, sustenta uma casta de juízes/a, desembargadores/as, militares, políticos e empresários que posam de competentes, de mais eficientes e trabalhadores/as, mas não passam de uns bostéticos ostentando “autoridade”. São pessoas acostumadas a privilégios, que nunca vão sentir o sol pesando sobre seus ombros em trabalhos duros, pois sempre foram servidas e bajuladas pelos serviçais que os cercam. São pessoas que nunca foram questionadas profundamente sobre o seu papel no desenvolvimento da sociedade brasileira. O racismo entranhado no aparelho de Estado é um dos vetores que sustentam a reprodução dessa gentalha que nunca foi a uma guerra mas tem o peito cheio de estrelas por “bravuras” imaginárias. Eu tenho nojo dessa gentalha e me envergonho profundamente de dizer que sou brasileiro quando o que temos de comparação é essa pseudo elite que nos governa e nos enterra a cada ano com suas reformas assassinas.

 

Joselito Manoel de Jesus, Professor

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

A SAÍDA DA FORD É UM SINAL IMPORTANTE: NÃO É SÓ A ECONOMIA ESTÚPIDO!

A saída da montadora Ford de nosso país gerou uma série de reações de amplos setores nacionais, tanto de representações políticas, quanto de representantes da economia, de sindicatos e do empresariado baiano. Todos concordam que as consequências são desastrosas para a economia brasileira e, de modo particular, a baiana. Mas tem solução.

Segundo o governador Rui Costa – em matéria de Rodrigo Aguiar, jornal A Tarde, quarta-feira, 13/01/2021, p. B3 – o maior prejuízo não será na arrecadação, pois esta vem caindo desde 2018, saindo de R$ 200 milhões para R$ 150 milhões em 2019 e R$ 100 milhões este ano. Costa afirma que o prejuízo maior será na ausência do conjunto dos salários pagos aos seus funcionários pela Ford, que era de R$ 500 milhões, dinheiro que deixa de circular em Camaçari e em toda a Região Metropolitana. Segundo o governador atual da Bahia o “efeito cascata” ainda traz mais prejuízos, pois trabalhadores domésticos, vendedores autônomos, pequeno comércio como mercadinhos, padarias, barbearias, entre outras, sofre os desdobramentos desta saída nada à francesa.

O prefeito de Salvador, Bruno Reis, também na página B3 do jornal A Tarde, espera que os governos mobilizem suas energias para construir alternativas. Ele lamentou a saída da empresa automobilística norte americana e afirmou que a prefeitura faz o que pode para combater o desemprego, embora, com razão, não tenha competência para atuar no nível macroeconômico. Para Núbia Cristina, da editoria da Auto Brasil, também do jornal A Tarde, A Tarde Autos, 13/01/2021, p. 2, o impacto negativo, será da perda de 7.216 empregos e da queda na arrecadação no município de Camaçari de R$ 150 milhões. informa sobre o esforço do governador Rui Costa em procurar alternativas no mercado asiático – China, Japão e Coréia do Sul – para implantar uma nova indústria automotiva, já que temos a maior planta industrial automotiva da América Latina, como pontuou o governador da Bahia.

 Possibilidades Outras

 Segundo Núbia Cristina, “[...] está na hora de apostar em projetos sustentáveis [eletrificação automobilística], e deixar de lado fabricantes tradicionais, ávidos por incentivos fiscais. Ainda segundo ela, o avanço rápido dos veículos elétricos é um sinal para que a Bahia planeje a reocupação da planta industrial recém abandonada pela Ford. Ela propõe que:

A Bahia precisa fazer alianças com empresas focadas na preservação ambiental, na sustentabilidade econômica dos negócios e no desenvolvimento da comunidade onde estão instaladas, comprometidas com o progresso da cidade, do estado e do país. (CRISTINA, 2021, p.2)

De fato, os veículos elétricos é a tendência e não há como parar isso. Não é futuro: é presente e se fará cada vez mais presente nas ruas do mundo inteiro. Mas como o governo baiano está desesperado para mostrar resultados, tendo em vista a eleição para governador que se aproxima, com a forte candidatura de ACM Neto já posta no jogo, talvez a solução seja menos racional e mais política.  

O vice-presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Paulo Cavalcanti, também se pronunciou e apresentou uma questão que me pareceu também interessante: [...] o porquê de não termos tecnologia nacional para substituir esses espaços. (CAVALCANTI,ACB em Foco, p.B3). Segundo ele:

Temos visto notícias de que os governantes brasileiros estão buscando a indústria automobilística chinesa para substituir a Ford. Onde está a indústria brasileira? Precisamos ter a consciência de que somente com investimentos em tecnologia e educação garantiremos a sustentabilidade para o futuro dos nossos filhos e netos [filhas e netas também, acrescento eu].

Cavalcanti chama a atenção para o desenvolvimento de uma tecnologia com know how brasileiro - o que me lembrou a pioneira Gurgel - aproveitando as necessidades geradas pela saída da Ford. E, para mim, o que ele apresenta de mais interessante é a educação, aliada, evidentemente à tecnologia. É preciso preparar o ser humano brasileiro para os desafios que se apresentam no presente e no futuro. E é somente educadores e educadoras bem preparadas, com salários dignos, com supervisão e avaliação sistemática de suas práticas educativas que poderemos formar esse ser humano, com as capacidades técnicas, políticas e humanas, atualizando suas potencialidades na produção de um parque produtivo diversificado e eficiente, com incorporação de técnicas, métodos, tecnologias e sistemas organizacionais que operem isso tudo numa dinâmica permanente. É mais fácil desenvolver novas tecnologias do que preparar o ser humano que vai operacionalizá-las em um contexto de grupo. Educar demora mais. E por isso mesmo, os/as educadores/as têm de ser educados/as desde já, numa nova proposta que incorpore esses desafios hodiernos, com a reorganização do sistema educacional baiano.

A experiência dos/as trabalhadores/as demitidos/as da Ford na Bahia, a existência da planta do parque industrial e a infraestrutura existente são pontos a favor. Mas é preciso avançar no sentido de desenvolvermos tecnologias próprias, seguirmos o exemplo dos chineses, japoneses e coreanos e não apenas esperarmos, dependentes, a boa vontade de empresas estrangeiras para produzir bens e serviços aqui em nosso país, mas atuarmos para desenvolvermos nossas capacidades produtivas, o que exige uma autoavaliação do governo baiano sobre o tratamento que dá ao seu sistema educacional, sem propostas factíveis de mudanças que correspondam às exigências contemporâneas. Não se trata apenas de economia, se trata de planejamento estratégico, educação, justiça social, respeito aos educadores e às educadoras e proposições claras de desafios honestos para que todos/as nós nos sintamos baianos/as, criando com tudo o que nosso tabuleiro tem e venha a ter.

Joselito Manoel de Jesus, Professor. Da Nair, do Zé, da Ana Lúcia, do Rafael, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

Com o apoio de:

 AGUIAR, Rodrigo. Governo faz reunião de grupo de trabalho para discutir solução pós-Ford. A Tarde, Salvador, ano 109, n. 37.153, 13/01/2021. Economia & Negócios, p.B3.

CAVALCANTI, Paulo. A Ford e as reformas do estado brasileiro: o que falta para começarmos a nos mobilizar? A Tarde, Salvador, ano 109, n.37.153, 13/01/2021. Coluna ACB em foco, p.B3.

CRISTINA, Núbia. É hora de atrair fabricantes de veículos sustentáveis. A Tarde, Salvador, ano 109, n.37.153, 13/01/2021. A Tarde Autos, Coluna Auto Brasil, p.2.

VALVERDE, Fernando. Bruno lamenta fechamento de fábrica. A Tarde, Salvador, ano 109, n. 37.153, 13/01/2021. Economia & Negócios, p.B3.