domingo, 14 de agosto de 2011

BANDIDAGEM CULTURAL NACIONAL

Meu país está morrendo, meu Brasil está sendo roubado, invadido, degradado por um punhado de ideias, comportamentos e atitudes nocivas de ladrões, estelionatários e formadores de quadrilha com um grau de cinismo, crueldade e perversão tão agudo que o absurdo está se tornando norma e a honestidade está se tornando cada vez mais rara e surpreendente, de forma deprimente. O nosso mundo está sucumbindo. Exemplos não faltam: padres pedófilos, policiais assassinos, políticos corruptos, guardadores de carro, merendeiras de escolas públicas, gestores desonestos de hospitais públicos, enfim, parece não haver área humana que escape da grande degradação cultural a que estamos imersos. Estamos numa espécie de corrida mortal para a destruição do estado e o pior: a destruição da confiança e da esperança do povo em suas lideranças políticas, pois suas políticas são gestadas nos antros de corrupção que o estado brasileiro abriga e alimenta com sua aberrante impunidade.

O ex-partido da moralidade e da ética foi engolido pelo pragmatismo da “governabilidade”. Oxalá fosse apenas uma questão partidária. Ainda poderíamos ter esperança de que a próxima eleição poderia nos dar a chance de rever nossos erros. Mas o voto não tem mais significação democrática. O voto é uma mercadoria, como qualquer outra. Não há partido que escape do “canto da sereia” do assalto ao cofres públicos e da impunidade que se segue. A degradação está em toda parte. Hoje, na Corrida da Esperança, vimos uma pessoa, que participou da mesma, pegar uma quantidade de copos d’água que não precisava para aliviar sua sede. Colocou tudo dentro de uma sacola e saiu. Essa mentalidade que está presente em muitas pessoas corrói a confiança, destrói a solidariedade e mina a esperança num Brasil eleito pela lei da justiça, do amor e da solidariedade. O próprio processo civilizatório brasileiro está em xeque, podendo ir à mate de uma hora para outra. A instabilidade do sistema é muito grande, podendo desencadear renovações muito positivas do ponto de vista de uma reconstrução dos valores éticos ou, pode também aprofundar e acelerar os processos de degradação que vão nos mergulhar numa barbárie de consequências desastrosas. Aliás, creio que já estamos nessa "corrida maluca".

A esperteza está em todos os lugares e instituições, alimentada e retroalimentada pela díade "otário/esperto". Nos anúncios de jornais e televisos, os automóveis, só para citar mais um exemplo, aparecem em meia página, com ilustrações bem grandes, com seus preços e prestações bem visíveis. Mas as condições vêm com letras tão reduzidas que somente com uma lupa é que dá para ler as armadilhas que os anúncios escondem. As concessionárias pegam o cliente com redes bem feitas de propagandas enganosas, sugando o seu desejo num bem mesquinho como o automóvel. As pessoas não compram um carro, compram uma dívida dividida em prestações longas, pagam dois carros e, quando terminam de pagar, seu carro não vale nem metade do preço original. A propaganda é um exemplo claro, portanto, de nossa cultura da enganação, da falta intencional de clareza, para que o cliente sucumba nos juros altos e nas promoções fajutas. Além disto, os próprios vendedores são orientados a enganar para vender, a levarem o consumidor a acreditar que serão mais felizes com a compra daquele bem, seja uma televisão de lcd, seja uma calcinha comestível, seja um carro novo ou usado, seja um velho político corrupto. 

Mas a felicidade não vem. Vêm as preocupações com o endividamento crescente, com as necessidades cada vez maiores que surgem em função das compras, afinal, ao adquirir um automóvel estamos adquirindo custos fixos como IPVA, abastecimento, lavagem, estacionamento, manutenção. O final de cada mês traz apreensões, tensões que se acumulam, vai nos retirando o tempo e a tranquilidade para nos dedicar à família, aos amigos, ao lazer. O dinheiro que nos sobra vai ficando cada vez menor e o orçamento cada vez mais apertado e a felicidade cada vez mais distante e rara. Os sonhos vão se tornando pesadelo e todo o cenário que foi desenhado artificialmente ao adquirir os bens vai desaparecendo até tornar-se uma lembrança esquecida permanentemente pelo turbilhão de consequências negativas desencadeadas após o evento da compra. Toda propaganda traz, assim, uma felicidade nociva, com um alto grau de corrosão de nosso bem-estar pessoal e coletivo, pois, convenhamos, o que é bom não precisa de propaganda. O que é bom é simples e é assim mesmo. Sempre vai ser assim. "Felicidade é uma cidade pequenina, uma casinha, uma colina, qualquer lugar que se ilumina quando a gente quer amar". A verdadeira felicidade nos habita desde sempre e quando raramente acontece, nos surpreende no momento sublime de nossa suprema realização humana. Eu sei que tem uma sombra de uma árvore num dia quente, e nela uma fruta doce e suculenta. Eu sei que tem uma água cristalina correndo perto dessa árvore e aguardando minha sede. E eu sei que tem uma boa nova me aguardando em tempo oportuno. Tem felicidades me aguardando a qualquer tempo para que eu prove um pouco do segredo de Deus que habita o cosmos imenso e talvez infinito onde estou inserido. Eu não preciso comprar coisas repetidas para sentir alegria. Raul Seixas estava certíssimo em seu "Ouro de tolo".

A bandidagem está em nossas entranhas sociais e culturais, alimentada e retroalimentada em cada pequeno gesto, em cada intenção de se dar bem frente ao outro. De levar pra casa pequenas coisas, de levar pra dentro de si pequenas corrupções que nos escravizam nesse modus operandi de viver em sociedade à custa do otário, que deve ser esperto diante de outro otário que bem pode ser a gente em outro momento. E o ciclo vicioso vai seguindo seu destino de degredo, forjando personalidades cada vez mais mesquinhas e interesseiras, baseadas na troca, na mercadoria que realize o desejo doentio de ter sempre mais para, quem sabe, tentar ser o que nunca será, pois preciso voltar a Parmênides para lembrar que "o que é, é" e, articulando a Paulo Freire, acrescento que o que é, mesmo quando deixa de ser, é para ser mais, mais com outro, que é o único jeito da gente ser mais sem ser menos, apenas diferente. Cancão de Fogo e Pedro Malazartes são nossos exemplos inconfessáveis de cidadania e de ética. Nossos heróis, caro Cazuza, não morreram de overdose. Estão bem vivos. Engordaram, compraram mansões, aumentaram seu patrimônio centenas de vezes e ocupam cargos estratégicos nas entranhas do estado, fazendo da República um antro de marginais à custa dos otários/espertos que aguardam as obras e as políticas que, se chegam, não interessam mais a quem não espera mais por nada.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tanto


Te esperei tanto

no anseio do “por enquanto”

e de tanto esperar

vejo quanto des-espero

e no quanto que restar

meu sinal tão fugaz

foi de verde pra amarelo.



Quero tanto.

No entanto

Nem sei mais quanto quero

Nesse tanto

o encanto foi ficando

lá num canto

por enquanto

foi-se dando de fininho



E tão tênue o seu fio

Que de tanto

Se partiu.

O que mais quero?

Não espero.

Vou ao tanto e de tanto

mando às favas o por enquanto,

e de modo muito sério

e selvagem tanto quanto

dou ao tempo a sua pausa

e conquisto o que mais quero.


Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Eu te odeio Platão!

Este texto foi escrito quando eu era estudante do 6° semestre de Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade Católica de Salvador, lá pelo passado de 1996-1997. O manuscrito foi reencontrado por Conceição Aquino, amiga de muitos anos, de décadas, quando remexia seu passado de papel em alguma espécie de baú.  As três folhas de caderno estão amarelecidas e o escrito a lápis parece adoentado em sua aparência física, embora a saúde do texto continue intacta. Apesar das expressões de ontem, acima utilizadas, pareceu-me que o texto continua de hoje, ainda falando para o meu tempo e surpreendendo-me, pois os temas nele tratados são bem parecidos com o que hoje ainda me angustia, como a permanência de certas lideranças à frente do sindicato. Algumas afirmações polêmicas e generalizantes, embora  eu não mais concorde, prefiro deixa-las errando e errantes no texto, para que eu sempre seja lembrado de meu processo lento de humanização e, claro, me divirta comigo mesmo, afinal, eu também mereço.
Obrigado à gentileza de Conceição por não descartar o escrito e me avisar de sua existência em algum lugar do passado e do presente. O manuscrito ficará comigo para ser lido e divertido algumas décadas à frente.

EU TE ODEIO PLATÃO!

“Para aqueles homens, habitantes eternos da caverna, os sons vinham das sombras que o fundo mostrava. Não sabiam que eram prisioneiros. Consideravam natural aquelas correntes.” (BENTANCUR, 1994). Assim Platão vai descrevendo a situação dos homens que habitavam a caverna. Inicio assim minha reflexão sobre a Faculdade de Educação da Universidade Católica do Salvador. É reflexão crítica. Crítica movida por profundo amor. Amo o saber, mas o concebo como serviço, contrariando a visão mercadológica do conhecimento. Crítico as lideranças institucionais, não as pessoas. Ficaria contente se este humilde comentário fosse elemento de reflexão e ação.

Ultimamente ando tendo a impressão, cada vez mais forte, que a Faculdade de Educação da UCSAL é uma caverna escura, onde estudantes, professores, funcionários e administradores vivem resignados, por não terem a capacidade de imaginar possibilidades, fora da caverna, de organização melhor e diferente para a construção do conhecimento.

Todo o cenário se prepara para viver a aventura, mas a universidade, acomodada, reage contra. Limita sua luta à repetição, à defesa dos currículos, ao monopólio do diploma, à reinvindicação de direitos e não raro privilégios, ao cumprimento de normas e planos de carreira. (BUARQUE, 1994)

Ouço alguns professores reclamarem da apatia dos estudantes quanto às disciplinas do Curso de Pedagogia. A reclamação tem procedência. De fato, aparentemente poucos são aqueles que vibram com o saber pedagógico; poucos também os que têm ideias novas sobre nossa faculdade. A maioria anda absorta, sem se dar conta da crise a que estamos submetidos e da responsabilidade da instituição universitária no processo transitório deste final de milênio. “Talvez seja a prova de não desejarem instintivamente coisas que já não respondem aos propósitos sociais nem às razões existenciais de fazer avançar o conhecimento.” (BUARQUE, 1994). Os professores esquecem de pensar o aspecto político filosófico do Curso, muitas vezes reduzindo-o aos aspectos técnicos-pedagógicos. O saber está submetido ao poder. Aqui na Bahia, coronelística, um poder sem parâmetros éticos, onde a corrupção alimenta o poder em si mesmo, em detrimento da coletividade, carente e excluída. Aí já reside boa pista de que estamos encavernados.

Do movimento estudantil não tenho visão alentadora, no momento. Parodiando grande compositor nacional diria que “(...) nossos líderes ainda são os mesmos e as aparências não enganam mais.” Quando entrei nesta faculdade em 1993, alguns DA’s (Diretórios Acadêmicos) já eram liderados pelas mesmas pessoas que agora estão carreiristas, atrelados às diretrizes de um ou outro partido político. Alguns diretórios tornaram-se verdadeiros comitês partidários, em detrimento do que nos é prioritário: a política pedagógica. A reação dos estudantes vem em forma de apatia às manifestações e articulações político-culturais. Caso o diretório acadêmico fosse uma tela eu preferiria um mosaico. Tenho a impressão que vou sair da faculdade e os atuais “líderes estudantis” vão continuar aí. Mais um indício de que somos habitantes da caverna. 

Os professores estão acorrentados num regime horista de aulas e, restritos à graduação, imaginam o que poderia  haver lá fora da caverna. A realidade da periferia é tão distante dos textos filosóficos, psicológicos, didáticos, epistemológicos, metodológicos e estatísticos. Creio que muitos já se esqueceram das quatro perguntas kantianas: “Que posso saber?”; “Que devo fazer?”; “Que me cabe esperar?”; “Que é o homem?”. Na Bahia não há um espaço coletivo de encontro e reflexão para os acadêmicos. Os professores de cada faculdade e de cada universidade parecem restritos a feudos, cada um com a sua lei e o seu Senhor Feudal. Ainda não pude ver alguns professores divergirem, com sinceridade e argumentos claros. Todo ano o reitor vem, dá a sua mensagem “natalina” e nenhum docente se contrapõe corajosamente, com respeito, mas com firmeza. Muitas discordâncias se restringem às salas de aulas e corredores da Faculdade de Educação da Universidade Católica do Salvador.

No campo da criação do saber é raro quando algum docente lança um livro, faz uma palestra, propõe uma mudança relevante. Muitos de nós, discentes, sairemos dessa faculdade de educação para sermos encaixados como “servos” nos feudos de escolas particulares, refletindo a mercadologização do pensamento, atendendo aos apelos neoliberais do lucro famigerado e do individualismo exacerbado.

Reclama-se de infraestrutura da faculdade e, com razão. Porém há espaços! Espaços-de-fazer que jamais existirão se não forem criados. Há um pátio subutilizado, onde poderíamos tratar das nossas questões mais prioritárias, como: avaliação, currículos, didática, escola pública, escola privada educação sexual nas séries do primeiro grau, que o bispo primaz foi contrário, entre outras questões que poderiam ser debatidas entre os estudantes dos vários semestres dos dois turnos, junto aos professores. Poderíamos criar grupos de trabalho para aprofundarmos a reflexão sobre a Nova LDB (recém criada na época deste escrito), sobre a alfabetização, sobre os transtornos exigidos pela educação baseada nos novos paradigmas do nosso tempo. Poderíamos. Mas estamos na caverna.

Seus companheiros estavam na mesma situação que ele quando nem sonhava livrar-se das correntes. Nada queriam, nada pediam, nada temiam. Temeriam talvez uma transformação, uma transformação tão profunda quanto a que ele pretendia propor. (BENTANCUR, 1994).

Estamos na caverna. Platão nunca foi tão hodierno e tão odioso. Seu mito denuncia nossa escravidão contemporânea. Diante de uma realidade emergente que se configura e nos desfigura –globalização, robótica, realidade virtual, desenvolvimento espantoso da biogenética, microeletrônica, incremento da violência, aumento inexorável do desemprego estrutural, da marginalização, crise de várias instituições, etc. – nós estamos “a ver navios”, ou melhor:  sombras projetadas nas paredes da caverna, sombra dos eventos que acontecem “lá fora” e que nós, por estarmos acorrentados, não podemos participar deles, resignando-nos na imaginação do que sejam aquelas sombras na parede.

Joselito Manoel de Jesus, 6.° semestre de Pedagogia noturno da Faculdade de Educação da Universidade Católica do Salvador e atualmente Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel.
Com o auxílio de
BENTANCUR, Paulo. Os homens da caverna. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1994.
BUARQUE, Cristovam. A aventura da universidade. São Paulo: UNESP/Paz e Terra, 1994.
BUBER, Martin. ¿Que es el hombre?  México, D.F. Fondo de Cultura Económica, 1994.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

DISCURSO DO MÉTODO

Metodologia é o estudo do método. Isto parte de pressupostos: Um deles é de que não há atividade educativa bem sucedida que não tenha desenvolvido um caminho para chegar a algum lugar. A prática educativa não pode ficar à deriva, sem ter clareza de onde, nem de como chegar a um lugar proposto. Em nosso caso, o lugar é apontado pelos objetivos traçados. Cabe então indagar: aprender o quê? Uma das respostas possíveis para essa pergunta seria, aprender a conhecer a importância da Psicologia da Educação e da Aprendizagem para obter aprofundamento teórico e para a orientação didática da prática educativa que conduza a maiores possibilidades de êxito em relação ao que ensinamos, ou seja, ao que queremos que o educando aprenda e apreenda. Por isso mesmo é preciso escolher métodos adequados, acompanhar suas implementações e avaliar suas eficácias para os educandos, modificando-os ou mesmo substituindo-os por outros, em função das características cognitivas e dos estilos de aprendizagem  de cada educando ou grupo, bem como deve-se considerar as interações que são estabelecidas no acontecer do processo educativo, desencadeado pela disciplina.

O Curso em EaD, que tem suas disciplinas desenvolvidas no AVA (Ambiente Virtual de aprendizagem), exige uma metodologia compatível com as múltiplas interações que as interfaces do ambiente e suas múltiplas possibilidades insinuam e exigem. Precisamos, portanto, de uma metodologia que propicie interações de alta qualidade, recolhendo os saberes prévios dos educandos, levantando dúvidas, associando-os aos saberes a serem dominados no curso da disciplina Psicologia da Educação e da Aprendizagem e provocando o educando em sua subjetividade a buscar estabelecer os domínios do conhecimento dos objetos de estudos apresentados Metodologia é o estudo do método.

As interfaces disponibilizadas no AVA: o wiki, os fóruns de discussão, os chat’s, os livros, os relatórios e link’s diversos, pouco servirão se não houver, basicamente, duas coisas: a vontade do educando de aprender e a vontade do educador de fazer aprender (ensinar). Não se pode descartar também o papel da metodologia no fazer aprender, pois se se descuida de como o educando vai trilhar o caminho, este pode ficar deserto e o lobo mau pode estar por perto. 

Uma abordagem interacionista é a mais propícia, visto que o conhecimento tem de ser percebido e acionado como um processo construtivo permanente, erigido através de indagações, dúvidas, incertezas e desconfortos cognitivos que potencializem o afeto e o sentimento do educando para desafiar o dado e reconstruir sobre ele de forma soberana, incorporando o conhecimento através de um processo de internalização criativa e crítica, a partir das interações que a força do seu investimento afetivo e cognitivo propiciará. Conceitos como interação e mediação serão fundamentais nessa escolha metodológica, necessitando um preparo inicial da tutoria a fim de afinar o discurso e unir as forças didáticas e pedagógicas em função dos objetivos estabelecidos, evitando, como diria Boaventura de Sousa Santos (2001), o desperdício da experiência.

Portanto, todas as atividades na disciplina a ser ministrada na modalidade à distância, devem se pautar no cuidado trato com as concepções iniciais dos educandos, ou, pelo menos, de algum grupo de educandos, favorecendo passagens, e não rupturas, entre o “já sabido” e o “a saber”, como ensinou o Mestre Paulo Freire. Essa escolha tem implicações importantíssimas para o ensino e a aprendizagem. Uma dessas exige que o material didático, em especial do módulo, deve ser apenas mais um meio, como a própria Coordenação de Material didático afirma em sua apresentação, e não um fim em si mesmo, como recurso privilegiado a ser adotado. Agindo assim, toda a metodologia proposta cai por terra, porque escraviza educador e educando a um modelo ultrapassado de promover o conhecimento, baseado na transmissão, assimilação, repetição do conhecimento tido como pronto e definitivo.

domingo, 24 de julho de 2011

Lula Ula, uuuuuuuhhh Lá Lá

Lula, ula
que infeliz a sua guzura
ula lá lá.
E lá chegou e quis ficar.

Lula, você comprou o seu Governo
e fez apelo popular.
Cê fez o pelo, barba e bigode
e fez um bode
lá do Congresso Nacional.

E o bigode você deixou na presidência
do senado, bigode atrasado,
dos idos tempos dos coronéis.

Lula, você tornou-se o criador dessa loucura!
Comprou o Congresso pela quantia
de sua guzura
vendeu ingresso para sua próxima eleição
e elegeu sua bem intencionada criatura
pra continuar a sua herança de dita mole
que é ditadura.

Lula, você faz ula,
que infeliz sua guzura! 
Olha lá!
Esse Brasil da sua promessa
não vi chegar.
O que estou vendo é um país
onde os impostos são pra cobrir desvios
de rumos,
de verbas,
de metas,
da ética.

Lula, você governa
com quem se compra
e com quem se vende.
Quanto te custa
às nossas custas
os indecentes?
sua guzura é indiferente?

Lula: até o povo você comprou
juntando as bolsas do anterior
e aprisionando pela boca
o voto fácil dos cangurus e gabirus
desse país.

Lula, nossas estradas
agora são privatizadas.
As ferrovias são ferro-velho
e a Leste-Oeste é uma obra
arruinada pelo PR em sua guzura.

Lula, ula
ula lá!
que infeliz a sua guzurá!

Você quer  trem bala
que realize o seu desejo reprimido
de infância.
Quer ferrorama com os bilhões
de nosso drama de impostos
impostos todos os anos
causando maiores danos
ao patrimônio dessa nação.

Porque nos falta:
um colete à prova de balas;
uma justiça à prova de impunidade;
uma educação à prova de incompetência;
um sistema político à prova de corrupção;
falta decência, falta clareza,
falta o plano de uma nação.

Nosso pais é um contágio
são uns contatos lá em Brasília
e uns contratos nos ministérios
é um Estado cheio de mistérios
um ralo onde o real desaparece
sem deixar pistas
nem ferrovias
(Quem souber morre!)

Lula, ula,
ula lá!
Lula, ula
olha lá
a sua guzura
só faz
a nação distanciar.

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

sábado, 23 de julho de 2011

Desintegração

O nosso mundo foi invadido!!! Foi invadido pelo Brasil. Os invasores foram avistados em Brasília e em todas as Assembleias Legislativas, Câmaras de Vereadores, órgãos públicos, prefeituras e até nas governadorias!!! A situação é caótica, porque, diferentemente do que esperávamos, a invasão foi acontecendo discretamente, até que nos deparamos com a trágica presença deles no comando do Governo. Eles adotaram a estratégia de dominar a humanidade brasileira estabelecendo uma carga muito pesada de impostos, um serviço público muito ruim e um sistema cultural de corrupção que impede que a população desfrute, pelo menos nas bordas, do “progresso” capitalista. O metrô de Salvador e tantas obras públicas por esse país afora e, agora, a Ferrovia Leste-Oeste. Temo que os últimos governadores da Bahia e os prefeitos de Salvador também, sendo este último o pior de todos, sejam alienígenas. O Governo Lula e a própria Dilma, creio que também o são e, se não, foram abduzidos e estão sendo ameaçados de desintegração instantânea.

De fato, no mundo da política, a linguagem é essa mesma. O PT, chegando ao poder central, é cultivado pelo temor de perder acesso ao mesmo. Teme sua desintegração e, por isso, faz uso de tudo quanto é coisa para manter-se na posição dos privilégios. Para isso, cultiva um discurso nas adjacências do Brasil de que tem um projeto político diferente dos demais e, ao mesmo tempo, é pressionado pelos demais para manter seus olhos fechados para a corrupção que campeia nos ministérios e nos mistérios Brasil adentro, sob pena de desintegração política. O recente caso do PR, não confundir com Paraná, os paranaenses não merecem isso, é um indicador do inferno que arde Brasília adentro. Falo de uma Brasília específica, pois, da mesma forma, os humanos que lá residem, denominados de “candangos”, também não merecem isso. O PR não é um partido político, é uma quadrilha, cujos membros deveriam estar no velho e bom xilindró, ou, quem sabe, num “Angar 51” qualquer.

Já assisti a filmes de ficção que mostravam, entre outras coisas, a presença dos extraterrestres no poder político. Inclusive o filme “A Profecia” aponta que o anticristo também como o próximo ocupante de importante cargo político para, daí, por fim à toda promessa do Reino de Deus. Desconfio que a ficção sempre antecipa certas eventos importantes para a humanidade, como queda de meteoro, maremotos e destruições e reconstruções de diversas ordens. Creio que o Brasil é fruto de uma dominação perversa de seres muito mal intencionados, porque não dizer malignos? Que destroem o mundo paulatinamente, a começar pela nação. Esta última está sendo achincalhada por um grupo numeroso de extraterrenos, eleitos democraticamente por um grupo ainda mais numeroso de abduzidos humanos que, de quatro, em quatro, anos, são obrigados a exercer o seu direito sagrado de votar, mas não de revoltar.

Ao que parece, a população foi atingida por alguma bomba de gás que a deixa alienadamente em estupor, sem poder emitir sinal algum de rebeldia, de descontentamento com a roubalheira que campeia nas obras públicas. Ou, pode ser que todos nós sejamos alienígenas. Pode ser que a corrupção não seja um desvio, mas o normal e eu esteja aqui tentando não ser o que sou: um brasileiro ladrão, corrupto, cínico, que não se contenta em aceitar a corrupção, mas contribui, sempre que possível para que ela seja cada vez mais institucionalizada. Talvez a barbárie seja o nosso destino inexorável, e quem está adiando nosso verdadeiro destino histórico: a locupletacão final de nossa concepção cultural do que devemos fazer com o nosso patrimônio público. Assim sendo, o darwinismo social do nosso país é ditado pela esperteza do mais ligeiro, pelo cinismo do mais ladrão, pelo puxa-saquismo do menos poderoso. Assim sendo, esse país precisa assumir sua condição cultural dada por uma estranha combinação antropológica a fim de alcançar sua verdadeira identidade e abrir todas as cadeias, destruir todos os presídios, posto que os maiores representantes dos ocupantes desses lugares, estão fora dele. Mas, nesse caso, quem está sendo desintegrado é a grande massa de gente, denominada de povo brasileiro.

Joselito da Nair, do Zé, da Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel.

Deformação Cristã

Eu tentei andar direito, conforme minhas crenças e, por aí, vigiei e orei para não cair em tentação. Vigiei mais os outros que a mim mesmo, com olhos atentos, perseguindo cada passo e medindo cada gesto do incauto, do infiel, e apontando o meu dedo de magistral imperador.

Fui à missa e escutei todos os padres e me curvei aos seus sagrados poderes da fala institucionalizada, que me deixavam politicamente e culturalmente abaixo deles, embora sempre houvesse exceções mais que honrosas. Mas um dia eu comecei a perceber que o maior pecado era o meu. Um pecado antigo, colonial, que traz a mania de só medir cada ação e comportamento pelo meu umbigo sacramental, de só querer o meu pedaço celestial e ainda atazanar os outros com minhas obsessões. Agora eu entendo como nascemos muitas vezes, de nós mesmos e dos outros. Dificilmente nascemos da rebeldia. Nascemos quase sempre pela procura do mais fácil e do mais confortável. Depois do frio que experimentamos ao sair do ventre, choramos atrás do conforto perdido, atrás do materno aconchego. Nascemos do medo e nos adequamos ao discurso hegemônico para não sofrermos as consequências dos ex-amigos e das autoridades “competentes” em cuidar da grande ordem social.

Eu acordei de um pesadelo cristão. De uma promessa vã de felicidade conforme uma ordem bem montada de poder, que se diz atemporal, mas destila bem no tempo a sua poderosa influência, muito pouco cristã. Acordei. Deus agora é Deus mesmo. Deus nú, despido de igrejas, de papas, de pastores e de padres. Deus que se completa na relação conosco. Deus dos outros, mais que de mim ou de qualquer grupinho de poder. Deus de todos os seres, mais que de nós, os humanos. Abandonei, assim, o pecado alheio para poder ser perdoado desse pecado. Saí da janela, saí da candinha e olhei para meu ambiente interno. Meus olhos se abriram para um “admirável mundo novo”, mundo-povo, povoado de plurais que desde muito habitam este pedaço de país.

Eu deixei de olhar o outro com o ódio de quem estava no caminho da verdade e da vida. Eu olhei e percebi o quanto estava deprimente. E o quanto estava ausente deste mundo. Estava constituído de ideias arcaicas e, assim, dirigia meus propósitos e orientava minhas ações. Meu caminho certo estava errado. Eu fui enredado nesse chão desde o dia em que nasci e como um burro me alimentei desse capim. Eu pensei ser um burro por causa do capim que sempre me deram como bom alimento. E fui comendo a gororoba social e cultural que me fizeram uma gogoroba de ser humano. Indigesto, e ainda com a pretensão de saboroso.

Eu acordei. E, sonolento, fui sedento atrás de Deus, atrás do tempo perdido na catequese que me fizeram um credor de concepções tidas como únicas e verdadeiras. Eu acordei!!! E agora vejo o que a formação humana pode ser: Formação de tolos.

Joselito da Nair, do Zé, da Ana Lúcia, do Rafael, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diálogo da profundidade do complexo de si mesmo

- Por que você não está querendo falar comigo?

- Porque comigo a fala contigo é uma forma de perdão.

- Não entendi...

- Ah, sim. Não entendeu?

- Não. 

- É que caso eu fale contigo estarei te cedendo o perdão. Mas eu te odeio! E esse ódio é que nutre o meu prazer. Eu não quero te perdoar para, quem sabe assim, fazer você sofrer ou, pelo menos, conservar o seu deslize destilando em meu silêncio, só pra gozar dessa proibição da fala que o meu ódio por você sustenta. 
Minha fala só é autorizada para o seu pecado, não para o meu perdão. Eu deixo minha atitude ficar pública, para que outros percebam quem você foi comigo. Esse desfile da minha revolta em relação a ti rende o prazer do espetáculo.Você tem de ser mantida muito próxima a mim, para que eu possa ir deliciosamente te odiando durante toda a minha vida, até mesmo depois de sua feliz e deprimente morte.
Eu te odeio!!! Eu tenho prazer em te odiar!!! Eu amo te odiar!!! Eu te amo!!!

Joselito da Nair, do Zé, do Rafael, de Ana Lúcia, de Tantas Gentes e de Jesus, O Emanuel.